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Observação de pássaros forma protetores da natureza

23/01/2015

25 outubro 2011 às 9:30


Avistar, encontro anual, acontece no Parque Villa-Lobos em SP

Quem não se encanta ao ver um beija-flor ou ouvir o assobio do uirapuru? Os pássaros têm o dom de inspirar e nos fazer olhar para cima, nos lembrando que há muitos mistérios ainda por descobrir sobre nossa existência neste deslumbrante planeta azul.  Esta visão poética está nos corações de muitos brasileiros, que passam horas quietos, camuflados, observando aves nas nossas matas.

“A Ornitologia [ramo da ciência que se dedica ao estudo das aves] brasileira é de alta qualidade”, garante  Guto Carvalho, lembrando que esta atividade também envolve muitos conhecimentos.

Carvalho acompanhou o início desta atividade no Brasil, com a formação de clubes de observadores na década de 70. “Os clubes tiveram boa adesão, de início, depois o número de participantes se reduziu. Mas a vantagem foi que formaram estudiosos, que fizeram registros precisos das espécies brasileiras, dando a base para o crescimento de agora”, conta o responsável pela organização do Avistar, o encontro brasileiro anual de observadores de pássaros.
O evento acontece desde 2006, no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, reunindo um congresso científico, com especialistas nacionais e estrangeiros, uma exposição de ONGs ligadas à preservação da avifauna e atividades gratuitas para crianças e adultos conhecerem mais os alados que frequentam os céus brasileiros.

Ao chegar na 7º edição Guto pensa no futuro e fala de seus novos planos, lançar um “KIT Avistar ” – um  modelo do encontro, replicável em todos os seus componentes e que  estará em breve à disposição de quem quiser realizar um Avistar em outras regiões. “Forneceremos todo o know-how gratuitamente”, fala, entusiasmado.“O interesse aumenta ano a ano. Só o concurso de fotos, por exemplo, recebeu em 2010, 10.500 inscrições e mais de 4,2 milhões de votos na escolha popular”, relata Guto.


Pássaros ensinam a conexão com os ciclos do planeta- Foto de Marcelo Krause, premiada no Avistar 2011

Esta sua paixão despertou cedo. “Desde criança, passarinhos prendiam minha atenção. Fotografei muito e aprendi com eles o amor e cuidado ao seu território, simultâneo à liberdade de voar”, explica. Com este hobby, ele também desenvolveu a sensibilidade para os ciclos do planeta. “Os pássaros anunciam as mudanças, as estações climáticas e migram, no momento certo. São um exemplo vivo do agir localmente e pensar globalmente”, analisa.

Esta atividade, que parece tão inocente, é crucial para a defesa das florestas brasileiras. Os olhares atentos em busca das aves aprendem a conhecer também as árvores que as atraem, os frutos e as sementes que as alimentam, e percebem, rápido, qualquer desequilíbrio no ambiente que elas habitam. “O turista de Natureza é o melhor fiscal que existe”, lembra Carvalho, citando um conservacionista e empresário do ramo do turismo ecológico no Pantanal, apoiador do Projeto Arara Azul, da bióloga Neiva Guedes.

Iniciar a observação é muito simples. “Quem coloca um comedouro, em qualquer lugar, inclusive nas grandes cidades, já é um observador de pássaros”, defende Carvalho, explicando que esta sua opinião gera polêmica entre ornitólogos. “Esta área, no Brasil, é diferente do restante do mundo. Aqui, as pessoas usam muito as redes sociais para compartilhar suas fotos e filmagens e identificar o animal registrado. Aprendem se beneficiando da inteligência coletiva, muito mais do que estudando solitariamente. Quem põe um comedouro quer o quê? Ver passarinho”, conclui, acrescentando que, pesquisando as vendas de bebedouros, ele chegou à estimativa de cerca de um milhão de pessoas que cuidam e alimentam pássaros livres no Brasil.

Crianças aprendem no Avistar, a apreciar os pássaros livres

Este é o jeito certo de curtir nossos amigos alados. Eles foram feitos para voar. Os de gaiola sofrem, mesmo se já nasceram ali. Eles são aves silvestres de outras terras. Os canários, por exemplo, vieram das Ilhas Canárias e ali é seu lugar. Quer ouvir seu canto? Há vários CDs e sites que dão este prazer, sem precisar manter o bichinho entre grades. “Passarinho tem sentimento e inteligência. Diversas experiências o comprovaram. Um pombo, por exemplo, se maltratado por alguém, avisa seus companheiros para tomarem cuidado com aquela pessoa”, informa Guto.

Para facilitar esta mudança de hábitos entre os que amam pássaros, ele montou a Rádio Paisagem:http://www.radiopaisagem.com.br/, onde você pode ouvir os cantos e ainda compor a paisagem conforme as espécies do lugar escolhido. Delícia pura! Experimente.

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